ângulo #31: A CLASSE OPRIMIDA

banqueiros.paginaA UE quer avançar com legislação que imponha um limite às remunerações auferidas pelos banqueiros. Sim. Também eu estou chocado. Parte da minha razão de ser é a maldicência dessa cambada de abutres que ganha balúrdios a brincar com o nosso dinheiro. Se acabarem com isso e um banqueiro passar a ganhar tanto como, sei lá, um trolha, de quem é que eu vou falar mal?

A iniciativa partiu do Parlamento Europeu, o apoio da França e da Alemanha. Mas esta gente não tem mais nada para fazer? Maldita a hora em que se começaram a entender! Às vezes fico com saudades do tempo em que andavam às turras. Ao menos não se metiam com invenções destas.

O capitalismo selvagem é lamentável e a faltade rigor financeiro foi o que nos trouxe até aqui. Basicamente, o que aconteceu durante muito tempo foi isto: nós colocamos dinheiro no banco, os senhores do banco pegam no nosso dinheiro e investem-no à parva. Só por isso já recebem um prémio – tipo prémio de participação -, se ganharem é mais outro tanto. Por azar perdem e pedem dinheiro dinheiro emprestado ao Estado. O Estado empresta, o défice aumenta, aumentam os impostos. O Estado pede dinheiro emprestado à Banca. A Banca empresta o nosso dinheiro, cobrando juros altíssimos. O Estado pede ajuda ao estrangeiro. O estrangeiro ajuda, com juros ainda mais altos. Nós pagamos.

Querem acabar com isto. Não podemos deixar que isso aconteça. Reparem, não estou a dizer que isto é bom, nem que não gostaria que isto desaparecesse. Gosto de ter algo para criticar, mas preferiria que o problema desaparecesse. Infelizmente, uma grande lição que já aprendi em relação a estas situações de índole financeira é que sempre que uma delas desaparece, em vez de coisa boa, o que vem a seguir é sempre algo pior.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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