ângulo #30: NÃO ME LEMBRO DO QUE ALMOCEI ONTEM

imagesTalvez por ter acabado de almoçar há pouco. Segundo um estudo publicado na revista Science passar ajuda à memória. (Quem diria! Aposto que os subnutridos devem ter a chamada memória de elefante.) O estudo foi realizado por cientistas japoneses, depois de beberem litradas e litradas de saké, com o auxílio de moscas de fruta. Faz-me confusão de que modo é que as moscas da fruta fornecem dados para análise, mas isso é natural porque não sou cientista.

À partida parece mais um estudo parvo, mas as aparências iludem. (É normal quando se trata de cenas japonesas. À primeira vista o bukkake parece uma cena nojenta, mas depois vai-se a ver e é de facto uma cena nojenta.) Para mim, a correlação entre fome e memória era o que precisávamos para voltarmos a ter resultados académicos bons e, acima de tudo, honestos.

É fácil de ver: no antigamente havia fome e os alunos sabiam de cor todas as estações de caminhos de ferro, rios, afluentes e outras toneladas de informação que tinham uma aplicação incrivelmente prática no dia a dia. Depois, veio a democracia, começaram a engordar e depressa se esqueceram das coisas. Aliás, a razão pela qual a CP encerrou muitas linhas foi porque as pessoas deixaram de lembrar-se das estações.

Governos anteriores apostaram no facilitismo na penalização dos docentes que não aprovem a eito e na adulteração de estatísticas. Este quer que regressemos ao tempo de uma sardinha por família. São opções. Lembram-se desse tempo? Eu não, mas é só porque acabei de almoçar há pouco.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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