ângulo #29: A CAVALO APREENDIDO NÃO SE PAGA

ng40A796A9-D0C4-4402-BC59-C89E78AB478AEsta semana a ASAE apreendeu toneladas de alimentos suspeitos de possuírem carne de cavalo nas suas composições, entre os quais iogurtes, compotas e pacotes de arroz. O cavalo, como qualquer um sabe é um homem animal, de hábitos alimentares e higiénicos reprováveis, por isso só temos a agradecer aos senhores fiscais da ASAE por se preocuparem tanto connosco e por não entrarem numa caça às bruxas desenfreada. Sorte nossa que souberam manter o discernimento.

Azar dos azares: muitos dos produtos apreendidos, após análise, revelaram não possuir qualquer vestígio de carne de cavalo. O grande problema era o rótulo. Ora querem lá ver? E agora? O que fazer a todos estes alimentos apreendidos? Por sorte, assim como apareceu a ASAE para apreender estes alimentos suspeitos, surgiram também a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade e o Banco Alimentar contra a Fome (Jonet, que saudades!) que mostraram interesse em receber estes produtos alimentares mal rotulados.  Ainda há gente boa neste mundo. Eu não seria tão generoso. Para mim, produto alimentar com erros volta logo para trás. Ontem no café pedi um sumol de ananás e uma sandes de fiambre; o sumol veio sem problemas, já a sandes era de fianbre.

Resumindo, o que temos de errado não é carne de cavalo em excess, é ausência de referência a esse componente e isso justifica uma apreensão destas. Não quero ser picuínhas, mas isso soa-me a desculpa da treta. Uma peta mal enjorcada, se me permitem. Não tenho nada contra que instituições de solidariedade social recebam estes alimentos, apenas contesto a validade da apreensão dos mesmos.  Quando são detectados erros em livros após estes saírem da gráfica não se deitam fora os livros, imprime-se uma errata e coloca-se no início ou na página em questão. Um erro de rotulagem é um erro remediável: imprime-se um rótulo novo e cola-se por cima. Pelo menos seria assim que eu faria antes. Agora que já aprendi o truque, vou passar a andar com mais atenção às embalagens para ver os rótulos têm erros. Quais promoções, quais quê!

Anúncios

Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
Esta entrada foi publicada em Ângulos. ligação permanente.

Muito obrigado pelo seu comentário. Note que esta é uma mensagem automática, por isso estou a agradecer um pouco às cegas. Quero acreditar que o bom gosto que o/a trouxe aqui se estende à qualidade do seu discurso.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s