ângulo #28: DE SETAD A RECTIFICAÇÃO, PERDÃO, RETIFICAÇÃO

FBF35C39BCBB25CFC41FED19F4D6BSolenes cumprimentos, estimadas pessoas e outros seres. Já lá vão alguns mesitos desde que pus os pés aqui. O que tenho andado a fazer neste tempo todo? A mandriar? Às vezes, mas nem sempre. Tenho andado atarefado com outros projectos, mas eis que me vejo obrigado a regressar às lides cronísticas. Mais que não seja porque, desde que me ausentei, dos vários jornais para onde costumo escrever, um está suspenso, o outro passou a ter só edição online. De modo que é melhor aproveitar enquanto ainda há jornais e escrever as minhas bambochatas.

Antes de mais, convém dizer que o estilo destes artigos irá sofrer algumas alterações. Ao invés de me focar num único assunto, passarei a abordar vários. É uma experiência. Se não resultar, volta-se ao antigamente. Cá vamos.

Ataollah Soleimanian, realizador iraniano responsável por grandes êxitos como “Atirem Pedras ao Infiel!”, “Atirem Pedras ao Infiel! 2” (escusado, na minha opinião) e “Não me Cortes a Barba, meu!”, comprometeu-se a recontar a história abordada no filme “Argo”, de Ben Affleck, mas do ponto de vista iraniano. O filme americano tem sido alvo de vários prémios, embora haja quem preferisse transformar o próprio realizador num alvo. O filme chamar-se-á “Setad Moshtarak” (“Os Chefes do Estado-Maior”, em farsi), mas quando estrear em Portugal podemos ter a certeza que vai ser qualquer coisa como “Intriga no Deserto”.

A Coca-Cola lançou uma campanha contra a obesidade. O objectivo passa por convencer as pessoas a deixarem de beber tanta Coca-Cola. Recorde-se que em Outubro do ano passado, em Nova Iorque, foi proibida a venda de refrigerantes em copos com mais de 473 mililitros, só que essa medida só entrará em vigor em Março. Até lá, a ideia é… Não faço ideia.  Sou só eu que acho que a Coca-Cola fazer campanha contra obesidade é o mesmo que o McDonald’s fazer campanha por uma alimentação saudável? Ou o Vidal das Gomas fazer campanha pela saúde dentária?

E já agora, entre obesidade e alcoolismo, uma cerveja (média) é mais barata que um refrigerante (lata 33 cl). Onde está a prioridade? Hoje já morreu pelo menos uma pessoa por excesso de álcool no sangue; não devem ter morrido assim tantas por enfardarem Kinders às pazadas.

O Centro Comercial Colombo fechou. Em seu lugar abriu o Centro Comercial Colomb. Há quem diga que a queda do “o” final foi culpa do temporal que assolou Portugal no mês passado. Percebo a relação, embora discorde do termo “culpa” aplicado neste contexto. Penso que foi antes a resposta às preces de todos aqueles que não sabiam dizer bem o nome deste centro comercial. Só que foi uma prece mal atendida, caso contrário o nome agora seria “Clombo”.

O Álvaro mantém total confiança em Franquelim Alves, o novo secretário de Estado do Empreendedorismo (omissão de passagem pela SLN), Competitividade (restantes elementos do Governo, PSD e CDS ligados ao BPN) e Inovação (chamar-se Franquelim e não ser brasuca). O Álvaro invocou a idoneidade de Alves e os mais de 43 anos de gestão que este possui. Peter Travers, o crítico de cinema da revista Rolling Stone, considerou o filme “Movie 43” o pior do mês de Janeiro e sério candidato a um dos piores do ano. O que é que uma coisa tem a ver com outra? Absolutamente nada.

Dois comboios descarrilaram na linha de Cascais. Parece que isto dos comboios descarrilarem anda a tornar-se moda. Como meio de incentivo ao uso de transportes públicos não me parece grande ideia. A não ser que a ideia seja afastar as pessoas dessas linhas para depois invocar o decréscimo do número de passageiros como justificação para a supressão de carreiras ou mesmo encerrá-las. Já aconteceu antes.

Arnold Schwarznegger, ex-Governador da Califórnia, voltou ao cinema com o filme “The Last Stand”.  Fernando Seara, o marido da Judite, actual presidente da Câmara de Sintra e candidato à Câmara de Lisboa, teve uma breve participação na telenovela da TVI, “Doce Tentação”. Tem tudo a ver.

Esta notícia ainda é fresca, por isso não sei os detalhes, mas consta que um Acórdão do Tribunal Constitucional, invocando novos factos pode viabilizar um recurso extraordinário que levará à repetição do julgamento de quatro dos condenados no Processo Casa Pia. Acho mal. A não ser que o remake seja mesmo muito bom e que termine de forma radicalmente diferente, penso que ainda é cedo para se meterem nisso. Às vezes até dá ideia que a história ainda não acabou. Ainda por cima, com os mesmos actores. Não faz sentido.

Em 2002, um homem foi vítima de um acidente de viação e ficou incapacitado sexualmente. Onze anos depois, um acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra declara que a mulher desse sujeito tem direito a uma indemnização de 25 mil euros. A questão que se coloca não é quem vai pagar essa indemnização, mas o seu propósito.  Agora indemnizam-se as pessoas por deixarem de ter quem lhes salte para cima, é? Este gente nunca deve ter ouvido falar em “arranjos” ou, em português mais claro, “adultério”. Quero ver se isto faz escola. Daqui a tempos, em vez de irem aos bancos pedir dinheiro emprestado, vão ao Tribunal queixar-se que o esposo ou a esposa não dão vazão na cama.

 Rumores infundados e maldosos afirmam que o Governo tem intenção de despedir entre 30 mil a 50 mil funcionários do Ministério da Educação e Ciência. A dedida é uma das propostas apresentadas no último relatório do FMI. Nuno Crato já tentou acalmar a polémica dizendo: “Uma coisa é o relatório do FMI, outra é o que o Governo vai fazer.” Em termos de acalmar a polémica, as declarações de Crato foram o equivalente a apagar um incêndio numa refinaria com um camião carregadinho de combustível. Ensinados pela experiência governativa e pela máxima “Temos de ir para além da Troika“, o mais provável é estarmos a falar do despedimento de 60 mil a 100 mil funcionários. Mais coisa, menos coisa.

Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
Esta entrada foi publicada em Ângulos com as etiquetas , , , , , . ligação permanente.

Muito obrigado pelo seu comentário. Note que esta é uma mensagem automática, por isso estou a agradecer um pouco às cegas. Quero acreditar que o bom gosto que o/a trouxe aqui se estende à qualidade do seu discurso.

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s