ângulo #26: MAIS CONCORRÊNCIA, MAIOR GAMANÇO

Uma boa parte dos portugueses (àqueles a quem perguntaram, isto é) acha que não era mal pensado haver mais operadores de transporte ferroviário a operar em Portugal. Dizem eles, os tansos, que mais concorrência reduziria o preço dos bilhetes e melhoraria a qualidade dos serviços. Exatamente o que aconteceu quando a Fertagus começou a operar: os preços ficaram mais baratos e a qualidade dos serviços melhorou que foi uma categoria. Mais coisas que também melhoraram: deixou de haver tantas greves, os administradores deixaram de meter dinheiro ao bolso e deixou de haver tanto gamanço dentro das carruagens – este passou a ser feito nas máquinas de venda automática.

Esta ideia de se mexer nos transportes só podia vir da Comissão Europeia porque os meninos lá fora têm a mania que se uma coisa funciona bem em toda a parte, também funcionará bem em Portugal. Nota-se. Na prática, o que esta medida faria seria apenas multiplicar os problemas que já existem pelo número de operadores que fossem aprovados. Assim como há concertação de preços entre as gasolineiras, passaria a haver também concertação de rotas. Cada operador teria os seus percursos e quem não quisesse pagar o preço justo iria a pé.

Mas desde quando é que alguém que nunca pôs o cu num banco de transporte público tem moral para vir para aqui cagar larachas sobre essa matéria? Peço desculpa pela linguagem (e rocomendo um Imodium para quem estiver mesmo a cagar larachas), mas é assim que as coisas são. Pessoas com transporte próprio, pago por nós, recomendam que a canalha ande de transporte público. Deve ser para ficarem com a estrada desimpedida de modo a chegar mais cedo ao trabalho para que possam estar mais tempo sem fazer nada.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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