ângulo #21: UM CAMINHO DIFERENTE

Quando o PSD está no Governo, como é o caso no dia em que escrevo este artigo (talvez não tanto quando o mesmo for publicado), a Oposição acusa o PSD de ser o responsável pelos problemas do país. O PSD, por seu lado, acusa o anterior Governo, neste caso o PS, de ser o verdadeiro culpado pelo estado a que as coisas chegaram. Quando os papéis se invertem, as acusações mantêm-se. Sendo sempre salutar uma bonita troca de acusações, tenho para mim que isso está longe de corresponder a toda, ou mesmo à mais básica, verdade sobre a situação do país. Sim, é preciso também atribuir alguma culpa à especulação financeira, à conjuntura interna e externa, aos compadrios, à inércia, etc. Todavia, mesmo esses factores mal roçam naquele que é, para mim, o principal responsável pelo estado do país, e que é, ou são, as pessoas que dizem: «Se isto continua assim, não sei onde é que isto vai parar».

Palavra de honra que me dá cabo dos nervos sempre que oiço alguém dizer isso. Parece inocente, parece apenas uma simples indagação sobre o nosso futuro mais ou menos imediato, só que não é. trata-se, na verdade, de um espevitar, umas vezes inocente, outras deliberado, a que os nossos políticos não resistem.

Os políticos são como crianças mimadas – nunca estão contentes com o que têm e quando fazem asneira, a culpa nunca é deles. São também muito curiosos; por isso, quando alguém diz «Se isto continua assim, não sei onde é que isto vai parar», em vez de pensarem, preverem e considerarem antes de responder, aceitam o desafio implícito e decidem ver até onde é que a toca vai. Em algumas situações refugiam-se na palavra e na retórica; nesta entregam-se de corpo e alma à sua exploração. O problema é que o caminho começa logo mal à partida e não é preciso ver bem ao longe para saber que aquilo que nos espera não é lá grande coisa. Não faz muita diferença se tomamos atalhos ou se optamos pelo percurso mais longo, mas pode fazer toda a diferença se as pessoas começarem a dizer: «Se isto continua assim, eu sei onde é que isto vai parar e não tenho interesse nenhum em ir lá». Talvez assim comecemos a ir por caminhos diferentes.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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