postigo #18: A SÉTIMA VISITA DA TROIKA

Apenas um dia depois da última visita de avaliação dos senhores da Troika a Portugal, talvez seja um pouco prematuro considerar cenários de um futuro mais ou menos distante. Podemos, ainda assim, olhar para algumas das conclusões e tentar fazer um jogo de adivinhação que não andará muito longe daquilo que o Governo fará. Refiro-me ao processo em si, não às suas conclusões.

Num comunicado preliminar disponibilizado aos órgãos de comunicação social, ainda ontem ao fim da tarde, é mencionado o apreço por parte da Troika ao esforço empreendido pelo Governo português no sentido de relançar a economia e de equilibrar as contas públicas. São destacados, com nota positiva, o incentivo à formação e à criação de postos de trabalho, recomendando-se que não se deixe de ter em especial atenção alguma volatilidade nos mercados internacionais.

Estamos no bom caminho, diz a Troika, mas é preciso não baixar os braços, caso contrário todo o sacrifício feito até agora será em vão. O que para nós é o mesmo que dizer que não há diferença nas consequências entre uma boa e uma má avaliação de desempenho por parte da Troika. A austeridade aumenta sempre, seja um bocado ou só um bocadinho.

Quando há dois meses, o Primeiro-Ministro anunciou o aumento de sete por cento das contribuições para a Segurança Social, todos acharam que era um exagero incomportável. A visita seguinte, também com nota positiva, trouxe consigo o arredondamento desse valor para vinte por cento. Agora há quem especule que o valor dos descontos, assim como o IVA, irão atingir e estabilizar nos vinte e cinco por cento. É claro que tudo isto não passa de projecções feitas com base em informações insuficientes. Talvez esteja a exagerar nas minhas previsões, talvez o Governo me surpreenda atacando os responsáveis pela crise em vez das vítimas. Gostaria que isso fosse assim, mas se há coisa que já percebi é que não importa quantas avaliações se fazem, nem qual o seu resultado, quando as decisões já estão tomadas à partida.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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