ângulo #14: BREVES DE JULHO

O Álvaro acusou os sindicatos das empresas de transporte de chantagem. Demonstrando uma inabalável firmeza, própria de um grande estadista, de um grande político e de um grande português, o Álvaro afirmou de forma veemente (e com um timbre esplêndido, devo dizer) que o Governo não irá “ceder a chantagens de quem quer que seja quando está em causa o interesse nacional. De seguida, despediu-se dos jornalistas e foi para o Conselho de Ministros ouvir a que novas medidas de austeridade o país teria de se submeter.

No mesmo dia em que aumentou o preço dos gás e da electricidade para as famílias e empresas portuguesas, diminuiu também o custo das chamadas telefónicas em roaming na União Europeia. A ideia por trás destas medidas é permitir aos portugueses gastar um pouco menos quando ligarem para os parentes emigrantes a queixarem-se dos aumentos.

O Fundo Monetário Internacional propôs que os despedimentos ilícitos fossem menos bem pagos. Nas palavras de um responsável da organização: “Eles [os despedidos ilicitamente] deviam eram estar caladinhos. Muita sorte têm eles em receber alguma coisa..” A proposta tem por base aquela ideia que diz que sorte é sermos assaltados, fanarem-nos a carteira e objectos, mas deixam-nos ficar com a roupa.

O Vaticano registou um défice de 14,9 milhões de euros em 2011. Depois de um excedente em 2010, a Santa Sé foi apanhada de surpresa pela crise da dívida soberana da Zona Euro. “Os resultados foram afectados pelas tendências negativas nos mercados financeiros globais, que tornaram impossíveis os objectivos definidos”, disse um porta-voz do Vaticano, parafraseando o Apóstolo Judas e desabafando de seguida: “ao menos se Deus percebesse tanto de macroeconomia como percebe de criação de Universos…”

O Governo português quer pedir mais tempo à Troika, mas não acha que deva pedir isso; a Troika está disposta a dar mais tempo ao Governo português, mas não quer que o Governo lhe peça esse favor. Em linguagem de casal, isto é o equivalente ao “desliga tu”, “não, desliga tu”, só que em chamada internacional e nós a pagar. Felizmente, o roaming na Zona Euro está mais barato.

Cavaco Silva acredita que a Troika vai ser menos exigente na sua próxima avaliação. Claro que vai! É só um empréstimo de centenas de milhares de milhões de euros! Ainda por cima, a Portugal! Por que razão haviam eles de ser rigorosos? Cavaco Silva disse ainda que a melhor receita para menorizar os dados causados pela austeridade é… mais austeridade. Espera. Não foi Cavaco Silva que disse isto, foi Passos Coelho. As minhas desculpas pelo engano. Mas a ideia mantém-se. É o equivalente a juntar mais sal quando a comida está demasiado salgada.

GEORGE

You’re gonna overdry it.


JERRY

You can’t overdry.


GEORGE

Why not?


JERRY

Same reason you can’t overwet. See once something is wet, it’s wet. Same thing with death. Like once you die, you’re dead. Let’s say you drop dead and I shoot you. You’re not gonna die again, you’re already dead. You can’t overdie, you can’t overdry.

O Tribunal Constitucional (TC) anunciou que o Governo procedeu de forma inconstitucional ao cortar os subsídios de Férias e de Natal aos funcionários públicos (não deputados e não membros do executivo e amigos, entenda-se). Segundo o TC, o Governo errou ao fazer o que fez, mas isso desculpa-se por estarmos numa situação “coisa”. No entanto, continua o TC, esta medida viola o princípio de equidade, ou seja, ou comem todos ou há moral. De imediato, Passos Coelho anunciou a aplicação do corte destes subsídios aos funcionários privados. E, a partir desse momento, a grande notícia do mês passou a ser a licenciatura em folclore do ministro Miguel Relvas.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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