A VOZ

O ENREDO
Telma nunca conseguiu ultrapassar por completo a morte do seu marido, Fernando. Todas as noites, sem excepção, ela repete o ritual de escutar uma gravação aleatória de um de vários programas de rádio que ele deixou editado em podcast. Durante a audição de um desses programas, Telma apercebe-se de que a morte de Fernando poderá não ter sido tão acidental quanto ela julgava ao descobrir que ele sabia exactamente quando é que iria morrer.

A BASE
A VOZ começou por ser um conto, melhor dizendo, começou por ser uma história inicialmente pensada para ser um conto. No entanto, quando comecei a desenvolver a sua planificação, percebi que tinha potencial para ser algo maior.

A história lidará com a perda de alguém próximo e os extremos a que uma pessoa pode ir para vingar essa dor. Abordará também o confronto entre o destino pré-traçado e a vontade própria de cada um. Será uma história bastante diferente das minhas anteriores pois, apesar de não ser a primeira vez que uso uma protagonista feminina, é a primeira vez que faço esse uso num romance.

Posso adiantar que numa das cenas já escritas, o personagem João Dias Martins, protagonista de Um Cappuccino Vermelho e personagem secundário em A IMAGEM, faz um cameo em A VOZ. Faço este spoiler porque no dia 23 de Março, quando fiz a apresentação oficial de Um Cappuccino Vermelho, fui intimado a escrever um terceiro livro (A IMAGEM será o segundo) para completar a trilogia. Se A VOZ será esse tal terceiro livro ainda é cedo para dizer. Será, sem dúvida alguma, o meu terceiro livro. O resto logo se verá.

Aqui fica o Capítulo 1. Atenção que este é um trabalho em andamento e o resultado final poderá apresentar algumas diferenças.

1

«Com o tempo aquela acção deixou de ser esporádica, moti­vada por sentimentos que não conseguia ultrapassar, e tor­nou-se uma rotina. Telma Faria sabia que fazia mal em não esquecer o passado. Tão bem como sabia que ainda era cedo para seguir em frente. Um dia de cada vez, era o seu lema; neste caso mais do que em qualquer outro.

Dizer que Telma era viúva, apesar de tecnicamente correcto, não era, todavia, o mais indicado. A sua perda tra­duzia-se em mais do que um mero cônjuge. Fernando não era só um marido, era um amigo, um confidente, um protec­tor. Era uma presença constante na sua vida durante um tempo que, relembrado, parecia-lhe sempre pouco.

Dos anos que passaram juntos, Telma conservava me­mórias e sons. Lembrava-se com facilidade de tudo. Dema­siada facilidade. Era como se estivesse presa no passado, di­riam alguns.

Reviver essas memórias era rápido e reconfortante. Não tão reconfortante, porém, como ligar o portátil e aceder à pasta onde guardava os podcasts que Fernando gravara para o seu programa radiofónico. Preparava uma água tóni­ca com gelo e limão, escolhia um livro, sentava-se no sofá e era como se ele estivesse vivo.

Fernando Faria, animador radiofónico num programa da madrugada, faleceu no seu ambiente, levado pela noite numas cheias que causaram transtorno a muita gente. Só tornaria a ser visto na manhã seguinte, ao avistarem o seu corpo flutuando pela Avenida dos Duques abaixo, envolvido por folhas, lixo e outros detritos.

Apesar de macabra e derradeira, a rápida descoberta do corpo terminou logo com qualquer princípio de incerteza que pudesse surgir quanto ao seu paradeiro. Uma ferida na nuca, supostamente causada por uma pancada desferida por um objecto aguçado, levantou algumas suspeitas. A investi­gação, contudo, deliberou que tudo não passara dum aci­dente. Um infeliz acidente, mas apenas um acidente. Estava a chover, Fernando escorregara e batera com a cabeça num ramo. Caso encerrado.

A chuva fez desaparecer as evidências, menos as dúvidas. Telma sabia que Fernando não morrera de causas naturais. Lera os relatórios, conversara com o agente responsável e confiava na veracidade dos resultados obtidos, mas não conseguia aceitar que a morte dele tivesse sido um mero acaso. Sentia que algo ou alguém provocara esse acidente deliberadamente. Era a única a acreditar nisso e, com o tem­po, a sua crença foi ganhando cada vez mais convicção.

À sua volta, o mundo continuava. Os amigos e familia­res de Fernando habituaram-se a não ter mais aquela pessoa por perto. Não o haviam esquecido; apenas não deixavam que aquela ausência os impedisse de prosseguir com as suas vidas.

Telma tentou ser forte como eles. Tentou fingir. Ten­tou esquecer Fernando sem esquecê-lo por completo e con­tinuar com a sua vida. O lema cliché que tomara como seu – um dia de cada vez – era, apesar dos seus esforços, ignora­do dia após dia. Demorou meses até chegar ao princípio duma conclusão: estava cercada por demasiadas memórias. Final de conclusão: tinha que sair dali.

Quase um ano depois da morte de Fernando, quando já todos haviam ultrapassado essa perda, Telma resolveu sair de Lisboa, cidade onde vivera quase toda a sua vida, e par­tiu sem rumo. Não acreditava que tivesse problemas em continuar com o seu trabalho a partir de qualquer outro lo­cal, uma vez que este era feito via Internet. Por vezes, preci­sava de se deslocar a vários pontos do país, mas essas viagens nunca duravam mais do que dois ou três dias. Dada a es­cassa frequência com que fazia essas deslocações, morar em Loulé, em Matosinhos, Miranda do Douro ou Castelo Bran­co era-lhe absolutamente igual.

Formada em Economia, a sua ocupação corrente não tinha nada a ver com essas qualificações. Eventualmente, só mesmo com a economia de combustível que fazia durante as suas viagens ao não pressionar muito o pedal do acelerador. Cumpria bem as suas tarefas, embora não conseguisse explicar de onde vinha essa capacidade. Não sentia que isso fosse algo estranho. Certas coisas fazemos porque aprendemos, outras nascem connosco. São um dom.

O dom de Telma Faria era organizar e rever seminários sobre próteses auditivas. Não tinha nenhum dom para as línguas, para as artes ou para o desporto, mas tinha um ta­lento natural para absorver e processar informação. Conse­guia perceber a relevância duma informação através do tom, da repetição ou da posição da mesma no discurso.

Quando terminou a licenciatura, a necessidade fê-la procurar trabalho. Conseguiu um lugar como secretária numa empresa que fazia controlo de qualidade para vários produtos, entre os quais próteses auditivas. O trabalho de Telma consistia em dactilografar as avaliações que os ins­pectores faziam aos vários produtos. Uma cópia desse mate­rial era guardada nos arquivos da empresa; a outra era de­volvida ao Inspector responsável para verificação, submeti­da ao director para conhecimento e enviada para a empresa contratante.

Tal como em muitas empresas, também aquela possuía subordinados mais qualificados do que muitos executivos. Era o que acontecia com Telma e um dos inspectores. O tra­balho dela era passar tudo tal como vinha, não era procurar erros, nem corrigir gramática ou sintaxe, embora ela o fizes­se. Além de não gostar de ver textos com erros, não tinha dúvidas que se algum erro fosse detectado, seria ela a res­ponsável.

À medida que foi ganhando experiência, a sua verifica­ção deixou de ser exercida apenas ao nível da gramática e da ortografia e passou a ser feita também ao nível dos con­teúdos. À força de tanto ler aqueles relatórios, Telma conse­guia perceber pequenas falhas e corrigi-las adequadamente. Não pedia crédito por isso, era apenas aprumo profissional.

Um dia resolveu chamar a atenção de um dos inspecto­res para um erro. Resultado: não só ele apontou o erro como sendo dela, como ameaçou fazer-lhe a vida negra caso ela entregasse algo diferente daquilo que ele escrevera.

Telma fez conforme intimada e enviou uma cópia do relatório, ipsis verbis, para o inspector e para o director. De imediato, o director chamou-a ao seu gabinete para uma “conversa séria”. Presente, estava também o ins­pector responsável.

Questionada sobre o relatório que entregara, Telma não foi apanhada desprevenida. Em vez de contestar as ale­gações do inspector de ego ferido, entregou ao director as notas originais para que este visse o tipo de funcionário que tinha ali.

Apreciando as suas qualificações, o director ofereceu-lhe uma promoção. Mas era tarde demais. Assim como ha­via partilhado com o chefe os erros de avaliação cometidos pelo inspector, também enviara essas descobertas para algu­mas das empresas contratantes. As propostas que recebera eram tantas que não teve outro remédio senão tornar-se freelancer.

O programa de rádio que Fernando animava todas as madrugadas era gravado num pequeno estúdio não muito longe do seu apartamento. A organização das músicas podia ser feita em casa; a gravação da locução exigia outras con­dições que em casa não dispunha. A Internet era uma ferra­menta indispensável para o seu trabalho, tal como era para Telma.

Por norma, tinha tudo pronto entre as dezoito e as vinte horas. Às vezes atrasava-se, por um motivo ou outro, e só gravava depois de jantar. Impreterivelmente, às duas da ma­nhã o podcast tinha de estar pronto.

Fernando costumava brincar muito com o que ela fa­zia, dizendo que o trabalho dela era manter os ouvidos das pessoas bem abertos para melhor o escutarem. Telma retor­quia, dizendo que as escolhas musicais que ele fazia eram a razão de se venderem tantas próteses auditivas.

O programa Madrugada Avulsa não se cingia a um gé­nero musical. Eram duas horas vivas, orgânicas, oscilantes. A música acompanhava as variações próprias do espírito do ser humano, saltitando da música clássica mais erudita para o industrial mais poderoso. Ocasionalmente, quando se sen­tia para aí virado, Fernando também incluía passagens de stand-up comedy.

O programa tivera dois animadores antes dele. O pri­meiro havia sido o criador, o segundo o estabilizador. Ao contrário de Fernando, a sua selecção musical, apesar de in­teressante, era menos vasta. Acreditavam que não era ape­nas na quantidade ou na qualidade das canções escolhidas que residia o sucesso do programa, mas também na sequên­cia em que estas eram apresentadas.

Quando foi a vez de Fernando assumir as rédeas da Madrugada, o programa era uma referência incontornável. Sentia-se nervoso, observado. Como o Jay Leno quando substituiu o Johnny Carson. Sentia que era sua responsabili­dade manter o legado que assumia, mas não sem deixar de imprimir o seu cunho pessoal.

A opção de expandir a matriz musical do programa suscitou alguma – muita, até – polémica junto dos ouvintes mais antigos, pouco habituados a grandes oscilações. Per­deu alguns ouvintes com isso, conseguiu manter outros tan­tos e angariar muitos mais. Feito o balanço, o saldo era po­sitivo. Sob a batuta de Fernando, Madrugada Avulsa conti­nuou a ser um programa coeso, com músicas que nem sem­pre agradavam a todos, mas que se uniam como peças num puzzle.

Telma já era ouvinte do programa antes do tempo de Fernando. Conhecera Fernando quando o segundo animador estava na fase de conquista do auditório. Depois da morte de Fernando, julgava poder continuar a escutar o programa como antes. Estava enganada. Por diversas vezes tentara, sem sucesso, ouvir o sucessor de Fernando. Sabia, por opi­niões que escutara, que ele estava a fazer um bom trabalho, mas não se sentia preparada para dar esse passo.

Sentia que escutar aquela nova voz – a substituição da voz do seu marido –, seria aceitar um presente do qual Fer­nando já não fazia parte. Enquanto se limitasse a escutar os programas gravados por Fernando ao longo de seis anos de emissão, seria como se ele ainda estivesse vivo, num estú­dio algures, capaz de chegar a casa a qualquer momento.

Telma agarrava-se à memória e à voz de Fernando não só porque não conseguia ultrapassar a sua perda, como tam­bém por acreditar que a morte do seu marido não estava to­talmente explicada. Lembrar e escutar era parte dum pro­cesso de obtenção e análise de pistas.

Fernando não tinha inimigos, mas tinha sucesso e a co­biça e a inveja geram sempre conflito. O dinheiro, apesar de financeiramente confortáveis, não constituía factor a ter em conta. Existiam outros motivos, a ambição por exemplo, que colocavam o dinheiro em segundo plano.

Apesar de dar pouca importância a isso, Fernando ti­nha um estatuto, uma imagem – uma voz, melhor dizendo – de marca, capazes de suscitar ódios e provocar acções irre­flectidas. O desapego ao que se tem costuma ser o que mais enfurece aqueles que tudo querem.

Alguém descontente com o sucesso alheio, talvez um fã não conformado com as mudanças introduzidas por Fer­nando, talvez um desconhecido. Qualquer hipótese era mais plausível do que morte acidental. Uma morte acidental era o equivalente operacional a varrer para debaixo do tapete. Era um infortúnio circunstancial sobre o qual a polícia nada po­dia fazer. Por muita vontade que tivessem – que não era as­sim muita –, o máximo que podiam fazer era encolher os ombros e prestar as devidas condolências.

Mais ninguém acreditava que Fernando tivesse morri­do de algo mais que um simples acidente. Tanto quanto sa­bia, isto é. Partilhara as suas dúvidas no início, quando as causas não estavam ainda cem por cento apuradas. Assim que a investigação ficou concluída, passou a ser a única a acreditar naquela hipótese.

Talvez não fosse a única a considerar aquele cenário, talvez outros se remoessem tanto como ela, revendo memó­rias, analisando momentos, procurando resquícios de indíci­os. Talvez.

Para algumas pessoas, embora não seja uma sensação agradável, é preferível uma conclusão amarga do que uma persistente incerteza.

A rotina mantinha-se inalterada. Telma nunca ouvia mais do que um programa por noite. Escolhia-os aleatoria­mente, sem repetições até o ciclo estar completo, mas sem­pre apenas um programa por noite. Para que tudo se proces­sasse nas condições exactas, não podia alterar nada.

Escolhera, para aquela noite, o programa emitido na madrugada de 21 de Fevereiro de 2007, uma noite especial por ser a noite do seu quarto aniversário. De modo a ter o dia e a noite livres, Fernando gravara dois programas no mesmo dia.

Como prenda para ela, resolvera recriar o seu primeiro encontro, recorrendo às músicas que passavam nos rádios do táxis onde se deslocaram e no cinema onde assistiram a um blocbuster que não lhes ficaria na memória. A cada três mú­sicas, fazia ouvir a sua voz, não apenas para identificar ter­mas, mas para partilhar uma frase, uma imagem, algo que fizesse a ponte entre aquela sequência e a seguinte. Cada música formava uma parte e cada três partes um capítulo. Era como se todas noites ele contasse uma história.

Telma estava a meio do oitavo capítulo dum romance de ficção científica quando ouviu Fernando dizer algo que a fez interromper a leitura.

A edição aproximava-se do final da primeira hora. A completar uma sequência iniciada por The Pogues e Gary Moore, vinha o senhor Leonard Cohen. Com o final da mú­sica como ambiente de fundo, Fernando disse o que ela ha­via escutado antes, mas que só agora percebia como conten­do algo diferente.

“Em um novecentos e sessenta e oito, os Beatles gra­varam aquele que ficaria para a História como um dos me­lhores álbuns da banda, o famoso White Album…”

O resto do discurso entrou em som de fundo. Telma fi­cara retida no início da frase. Por que razão é que Fernando dissera um novecentos e sessenta e oito em vez de mil nove­centos e sessenta oito? Quanto muito um nove e sessenta oito. Talvez fosse apenas uma escolha invulgar, para ele, de pronunciar o ano de edição daquele álbum. Então, por que razão é que isso a abalara tanto? Sabia que captara algo – de outro modo não teria ficado naquele estado –, mas o quê?

Levantou-se do sofá, caminhou até à mesa onde estava o portátil e pôs o programa em pausa. Sentiu-se mal quando pressionou o botão. Era como se estivesse a mandar calar o marido. E era. Mas tinha de ser. Precisava de silêncio para pensar.

Puxou da cadeira e sentou-se para uma pesquisa. Por aproximação ao número 68, surgiram vários sites dedicados a determinado prática sexual, um conto gótico e milhares de outras informações que não lhe interessavam para nada.

Olhou para o relógio e viu que eram três em ponto. A hora do Diabo iria começar. Repetiu, mentalmente, o que Fernando dissera. Talvez a pista não estivesse no modo como ele dissera a data, mas sim no número em si. Um no­vecentos e sessenta e oito. Podia ser uma conta.

Fernando era muito dado a enigmas. Várias haviam sido as vezes que ele divulgara charadas dissimuladas para os ouvintes decifrarem. Ele não chamava a atenção para a existência dum mistério; preferia deixar que os mais atentos se apercebessem disso e procurassem uma solução.

Telma pegou num bloco de notas e num lápis e come­çou a rabiscar, aguardando por um lampejo de inspiração. Um novecentos e… um vezes novecentos e sessenta e oito? Seria? 968? Que teria aquele número de tão especial?

Sem dar por isso escreveu o dia de emissão do progra­ma que colocara em pausa. 21 de Fevereiro de 2007. Olhou para os números. Lembrou-se da noite que passaram juntos e fez as contas por alto.

Deixou cair o lápis.

Toda ela tremia por dentro, com receio de confirmar aquilo que uma parte menos consciente de si, mas mais alerta, captara há meia hora.

Pegou de novo no lápis e somou 968 ao dia 21 de Fe­vereiro de 2007. Seria mais fácil e rápido abrir uma folha de cálculo. Mas também mais infalível. À mão sempre havia a hipótese de se enganar.

Contados os dias, chegou uma data que nunca es­queceria. 15 de Outubro de 2009. A noite em que Fernando morrera.»

in A VOZ

Espero que tenha gostado deste início e que o fim venha a estar, também, ao seu agrado. Até lá.

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Sobre Joel G. Gomes

Escritor, guionista e cronista. Autor dos romances "Um Cappuccino Vermelho" e "A Imagem". Autor do livro 'Um Cappuccino Vermelho'. Guionista das curtas-metragens 'O Atraso' (realizada por David Rebordão) e 'A Chamada' (realizada por Vasco Rosa). Cronista regular nos jornais O Rio, Jornal do Barreiro, O Primeiro de Janeiro, Jornal da Bairrada e, menos regularmente, nos jornais Voz da Póvoa e Jornal do Alto Alentejo.
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